Novas Diretrizes de Ressuscitação do ERC 2025

Em outubro de 2025, o Conselho Europeu de Ressuscitação (ERC) publicou as novas diretrizes de ressuscitação. Estas diretrizes constituem a base de toda a formação em ressuscitação e primeiros socorros na Europa. As atualizações têm como objetivo melhorar ainda mais as taxas de sobrevivência e elevar a qualidade do ensino e dos sistemas de ressuscitação.

De seguida, resumimos as principais alterações.

1.    Utilização do DAE

Uma das principais novidades é o maior enfoque na utilização do DAE com apoio do centro de emergência.

  • Os operadores dos centros de emergência (112) são agora incentivados a orientar ativamente os interlocutores na localização e utilização de um DAE. O ERC recomenda também a integração de registos de DAEs em tempo real, permitindo identificar imediatamente o DAE mais próximo.
  • As caixas de desfibrilhadores fechados são desaconselhadas, uma vez que chaves ou códigos podem atrasar o acesso. Caso exista um risco real de vandalismo, o uso de fechaduras pode ser mantido, desde que os operadores consigam fornecer instruções claras e rápidas para a abertura.
  • A entrega de DAEs por drones é reconhecida como uma inovação promissora, especialmente em zonas rurais ou de difícil acesso. Apesar de ainda ser uma tecnologia experimental, passa agora a estar contemplada nas diretrizes.

2.    Técnica de Ressuscitação: o Essencial Mantém-se, a Qualidade é Crucial

Os princípios básicos da ressuscitação mantêm-se inalterados:

  • Rácio de 30:2 (compressões/ventilações) para socorristas formados
  • RCP apenas com compressões para leigos ou quando a ventilação não é possível

A qualidade das compressões continua a ser fundamental:

  • Frequência: 100–120 por minuto
  • Profundidade: 5–6 cm
  • Permitir o retorno completo do tórax
  • Evitar profundidade excessiva (>6 cm)
  • Minimizar interrupções

O ERC reforça a importância da garantia de qualidade através de dispositivos de feedback e monitorização em tempo real, tanto na formação como em situações reais.

3. Sistemas e Equidade: a Ressuscitação é um Trabalho de Equipa

As diretrizes de 2025 dão maior destaque ao nível do sistema:

  • Formação para profissionais 
  • Mapas de DAEs atualizados e distribuição equitativa dos equipamentos

A equidade na ressuscitação é um tema central, garantindo acesso igual aos DAEs e promovendo a RCP em todas as regiões, com especial atenção ao aumento da participação das mulheres.

3.    Formação e Implementação: Transição até Janeiro de 2026

As novas diretrizes passarão a ser o padrão para todos os cursos de SBV-DAE a partir de janeiro de 2026.

Isto significa que entidades formadoras, instrutores e distribuidores dispõem de um período de transição para atualizar os seus materiais pedagógicos, manequins e DAEs de treino.

4.    Educação: Começar Cedo e Praticar Ativamente

O ERC destaca a importância de uma educação precoce e contínua em ressuscitação, começando já no ensino básico (4–6 anos).

A formação deve ser:

  • Repetida anualmente
  • Prática e interativa, com recurso a manequins e cenários
  • Adaptada ao público-alvo e ao contexto (clubes desportivos, locais de trabalho, escolas, etc.

5.    Ressuscitação Pediátrica e Situações Especiais

Um novo capítulo aborda situações específicas como trauma, afogamento, asma e hipotermia.

Outros pontos importantes incluem:

  • Crianças: iniciar com 5 insuflações, seguidas de um rácio de compressões de 15:2
  • DAEs em crianças: colocação atualizada dos elétrodos — frente e costas
  • Adultos: após três choques sem sucesso, considerar reposicionar um elétrodo mais próximo do centro do tórax

6. Primeiros Socorros: Expansão e Atualização

A secção de primeiros socorros foi significativamente ampliada e passa agora a seguir o princípio ABCDE, em vez do tradicional ABC.

ABCDE significa: Via aérea (Airway), Respiração (Breathing), Circulação (Circulation), Incapacidade (Disability) e Exposição (Exposure).

Outras atualizações importantes:

  • Hemorragias com risco de vida passam a ter maior prioridade (incluindo uso de torniquetes)
  • Novas emergências abordadas: lesões por calor e frio (golpe de calor, hipotermia), amputações, hipoglicemia (não apenas em diabéticos), entre outras
  • Incentiva-se a improvisação prática quando o equipamento adequado não está disponível

Resumo

As Diretrizes ERC 2025 dão ainda maior destaque a:

•    Acesso rápido ao DAE, apoiado por sistemas de despacho e disponibilidade aberta
•    Qualidade da ressuscitação e uso de feedback
•    Igualdade de oportunidades para todos ajudarem
•    Educação precoce e contínua
•    Formação alargada em primeiros socorros

A partir de janeiro de 2026, estas diretrizes tornar-se-ão o novo padrão.

Na Medisol, acompanhamos de perto estas evoluções e apoiamos instrutores, organizações e empresas durante a transição — desde DAEs atualizados a materiais de formação e ressuscitação alinhados com as normas mais recentes.

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